Era uma vez... Pode parar, isso é clichê demais, mas pensando bem a história que eu vou contar tem suas partes clichês então vamos lá...
Era uma vez, um rapaz que veio de uma cidade muito pequena no estado de Pernambuco para morar em São Paulo tentar a vida e deixar a miséria, seu nome é Elenilson um rapaz com seus 24 anos vindo de uma infância sofrida, comendo o pão que o diabo amassou, viveu na seca do nordeste do Brasil em seu rosto era notável o sofrimento que passou em sua cidade natal, com uma aparência totalmente desleixada, mas Elenilson sempre foi esforçado nunca rejeitou trabalho desde que fosse remunerado, ele arranjou um emprego como servente de pedreiro e logo fez amigos a maioria nordestinos que também vieram tentar a vida aqui em São Paulo, quando sentavam para jogar conversa fora, era risada na certa, Elenilson com seu sutaque forte e suas gírias de nordestino, logo foi marcado e considerado como a figura mais ilustre da obra, mas nada de moleza no serviço
Passado alguns meses, a obra a todo vapor, Elenilson avista uma mulher na rua passando com o carrinho da feira, que para ele era mais que um anjo, dia após dia Elenilson fica marcando que horas ela vai passar por ali de novo, ele comenta com seus colegas que estava apaixonado por aquela mulher, não parava de falar dela, enquanto seus amigos de obra mexiam com as outras mulheres na rua, com suas cantadas ilustres e já conhecidas por muitos do tipo “gostosaaaaaa...”, “fiuuuuu fiuuuu...”, mas Elenilson só tinha olhos para aquela mulher.
Em mais um dia trabalho Elenilson fica pensando em como falar com sua amada que sempre passara ali com o carrinho de feira, pouco tempo depois ela passa pela obra, e ele toma coragem e oferece ajuda para a mulher de seus desejos, ela prontamente aceita a ajuda, e eles se conhecem, seu nome era Creciana um pouco mais velha do que ele, já com um filho de oito anos para criar, Creciana era empregada doméstica de uma madame metida á rica, mas que na verdade estava devendo ate as roupas do corpo, ela trabalhava no prédio de trás da obra onde ele trabalhava.
Elenilson não parava de pensar em Creciana, nos dias de folga dela, ele ficava triste por não ter visto ela, e quando ele estava de folga ficava em casa pensando no que falar pra ela, rezando para o dia terminar logo, sempre que ela passava, ele arrumava algum propósito para falar com ela, alguns dias se passaram e eles trocaram telefone, e Elenilson acabou se declarando a ela, e Creciana não aceitou seu pedido, usando a desculpa de que eram somente amigos, ele não aceitou o NÃO dado por ela e Elenilson passou a ligar direto para ela, não importava a hora, ate mesmo de madrugada, Creciana foi se irritando com ele,
Mas ela não deixou de ter ele por perto, ate que Creciana começou a explorar o pobre coitado que ganhava pouco e que mal dava para pagar o aluguel do seu quarto e cozinha, ela pedia presentes caros, tudo o que ela queria, ela pedia para ele, e Elenilson dava o que ela queria na esperança de conseguir o amor dela, os amigos dele já avisava que ele estava sendo um completo idiota em dar presentes caros para ela e aconselhava ele, para parar com essas loucuras, Elenilson não conseguia deixar de pensar nela, ele conseguiu se distanciar dela, mas ainda sim ligava para ela, mas sempre na tentativa mal sucedida.
O tempo foi passando e Elenilson deixou de ser aquele funcionário exemplar, já não dormia direito, endividado com o aluguel de seu puxadinho e das coisas que comprara para Creciana, ele já não sabia para qual lado correr, só chegavam telegramas de cobrança, até o dia que ele pensou em se matar, achando que seria a única saída para seu sofrimento, noite após noite, ele pensava em como se matar, chorava quieto em seu canto, até o dia que caiu na bebedeira, e totalmente fora de si, foi para casa trançando as pernas, mas como Deus cuida dos bêbados nessas horas, ele chegou em casa se sentou em sua cama e começou a pensar em tudo que tinha acontecido desde que sairá do Pernambuco, Elenilson tirou sua roupa e colocou a roupa surrada com que chegou em São Paulo.
Chorando Elenilson fez uma Teresa com os poucos lençóis que tinha em casa, e a amarrou em uma barra de ferro que ficava atravessado entre as paredes para escorar uma parte do teto que estava cedendo, ele pegou a bíblia e leu algumas partes dela, e se derretendo em lagrimas, Elenilson subiu na única cadeira que tinha em seu puxadinho, colocou a Teresa em seu pescoço e sem pensar muito soltou o corpo e ficou agonizando, já sem respiração, desistiu de lutar pela própria vida, mas nesse momento o ferro não suportou o peso e se partiu ao meio, e ele caiu no chão tossindo e procurando ar.
Elenilson continuou em prantos e dessa vez por não conseguir se matar, Ele acabou dormindo ali mesmo no chão frio, e no dia seguinte antes de sair de casa decidiu que não queria mais ver Creciana e nem falar com ela, ele então chegou ate a obra que já estava quase terminando, ele pediu as contas dali e recebeu um dinheiro que não era esperado, era a premiação para os funcionários por entregarem a obra antes do prazo combinado.
Com o dinheiro Elenilson foi pagando as contas aos poucos, e fazendo alguns bicos ele conseguiu pagar tudo o que devia na praça, e decidiu que voltaria para o Pernambuco e nunca mais em São Paulo pisaria, pois aqui foi um capitulo que ele deseja apagar da memória, para Creciana ele ainda deixou um bilhete para o segurança do prédio entregar a ela que dizia assim “ Te amei como nenhum outro jamais te amou, fiz tudo por você e você nada por mim. Com amor Elenilson...” e Elenilson voltou para a sua terra natal e nunca mais teve noticias de Creciana.
L.C
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